Os métodos que descrevo, são apropriados ao espaço que tenho, à disponibilidade de tempo e ao que pretendo com os meus canários, sendo que cada criador os deverá adaptar conforme os seus objectivos.

domingo, 6 de Maio de 2007

Canários de cor...

O canário silvestre é verde raiado de preto ou castanho. As penas da cabeça, dorso e lados têm nervuras escuras. As penas das asas e cauda são escuras. Estas cores provêm de duas substâncias corantes chamadas melaninas.
As de tons pretos são eumelaninas.
As de tons castanhos são phaeomelaninas.
Comparando com o pássaro domesticado, o canário silvestre tem igualmente riscas ao longo do corpo, pretas acinzentadas e acastanhadas.
Nos canários silvestres é mais evidente a diferença entre sexos. As cores são definidas por dois grupos:
Cores lipocrómicas
Cores melanicas
As lipocrómicas provêem dos carotenóides das plantas verdes. As aves absorvem estas substâncias na alimentação e o organismo transforma-as em cores lipocrómicas, transportadas pelo sangue até às penas. Somente se verifica durante a muda das penas, sendo importante que neste período as aves comam vegetais, para apurar a sua bonita cor, principalmente nos de factor amarelo e vermelho. Quando a muda terminar, a alimentação deixa de ter influência nas substâncias lipocrómicas. A substância lipocrómica (cor - base) é amarela no canário verde. Uma mutação faz com que esta substância se torne numa cor base branca, da qual os canários acinzentados, assim como brancos ou em parte brancos, provêm. A mesma mutação, que permitiu a cor base amarela transformar-se em branca, pode ser transferida, através de cruzamentos, para outras mutações, dando canários castanhos, ágata e isabel.
Uma terceira cor é a vermelha, mas contráriamente ao que acontece com a branca, não é conseguida através de mutação, mas sim, por hibridação com cardeal vermelho (Spinus cucullatus) da Colômbia e Venezuela. Este cruzamento teve como finalidade obter um canário vermelho, o que até certo ponto foi conseguido.

As cores escuras, ou melánicas, têm influencia não só no padrão (riscas), nomeadamente das penas das asas e da cauda, mas também na cor base. Ao contrário do que acontece com as lipocrómicas, a alimentação não exerce influência sobre as melánicas. O branco da cauda, assim como partículas amarelas nas penas menores, aparecem através de mutações. A escolha destas aves coloridas, permitiu o surgimento dos canários matizados de amarelo e amarelos lisos. Nos canários coloridos, as melaninas não se espalham regularmente por toda a plumagem, mas sim em partes definidas: como a cabeça; à volta dos olhos; peito; lados; dorso; pescoço e penas exteriores da cauda.
No interior da sua plumagem existem muitas variações que vão desde o verde com uma ou apenas algumas penas de cor clara até ao amarelo liso com apenas algumas penas escuras.
Existe ainda um factor muito raro: factor óptico "azul" – que tem influência nas células das penas. Ele transforma a cor amarela em amarelo – limão, com um brilho esverdeado, cinzento – ardósia para azul metálico, e faz com que os pássaros vermelhos tenham uma cor mais intensa. Na cor amarela, podem-se constatar duas variantes, provocadas por diferentes estruturas de penas. Uma delas é amarelo vivo, e outra amarelo claro. Actualmente a estas diferenças chama-se respectivamente intensa e nevada. Os pássaros de cor intensa são aparentemente menores e mais elegantes, devendo-se ao facto da plumagem ser mais fina e menos cerrada do que nos pássaros de cor nevada. Nestes, as penas são largas e a cor base não chega a atingir as pontas das penas. Nos pássaros de factores amarelo e vermelho, as pontas das penas são brancas, o que faz parecer que a plumagem está salpicada de geada. Esta estrutura de penas, também se encontra em todas as outras cores, mas é mais visível nos pássaros de cor base amarela ou vermelha. Nos pássaros nevados de cor verde, as pontas das penas são cinzentas. Nos de cor base branca, é mais difícil diferenciar intensos e nevados.
Uma terceira cor lipocrómica, chamada mosaico, aparece mais realçada nos pássaros de factor amarelo ou vermelho. Nos pássaros mosaico, a plumagem é amarela/vermelha – esbranquiçada, mas com uma base amarela/vermelha mais intensa no ângulo dos olhos, peito, ombros e uropígio.
Esta cor aparece com maior expressão nos machos. Este padrão mosaico também se encontra noutras cores, embora não sendo tão notórias.
Ricardo Ferreira

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